segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Enchentes e deslizamentos exigem planejamento e ações sérias para evitar a repetição de tragédias

A população do Rio de Janeiro sofreu com os problemas provocados pela maior chuva já ocorrida em um único dia: 288 milímetros registrados em 24 horas pela Defesa Civil Municipal, nesta terça-feira, 6 de abril. Foram mais de 200 mortes e cerca de 14 mil desabrigados, devido a deslizamentos de terra e enchentes, segundo informações divulgadas pelas autoridades municipais. A grande questão colocada por mais essa tragédia é como evitá-las ou minimizá-las ao máximo. Isto porque, não só o Rio de Janeiro, mas a maioria das cidades brasileiras se ressente da falta de planejamento e de ações que impeçam sua repetição na proporção frequentemente observada em nosso país, especialmente nas áreas de risco. A engenharia brasileira especializada em projetos e obras de saneamento detém conhecimentos técnicos suficientes para propor soluções para evitar ou minimizar tragédias do gênero. É necessário, porém, que os administradores públicos – municipais, estaduais e federais – ligados a essa área desenvolvam um planejamento sério para a execução de ações preventivas, que incluem estudos e levantamentos sobre as áreas de risco e as destinadas a evitar enchentes, a elaboração de projetos de qualidade e abrangentes para embasar a realização de obras eficazes e duradouras. Evidentemente, seria leviano e irresponsável apontar os atuais administradores públicos nas três esferas como os únicos responsáveis pela ocorrência de tragédias como a que se abateu sobre a capital fluminense, resultantes de décadas de descaso para com essa questão. Mas também seria irresponsável postergar as ações necessárias à prevenção de enchentes e deslizamentos de terra, que sempre trazem consequências trágicas para as populações atingidas. Após a ocorrência de desastres semelhantes, repetem-se os mesmos discursos das autoridades, em geral atribuindo-os a ocupações irregulares de encostas e morros, falta de colaboração da população com o saneamento e destino do lixo e demais resíduos sólidos, entre outros. Esses argumentos são verdadeiros, se olhados isoladamente, mas não justificam a passividade diante do inevitável acontecimento de novas tragédias, caso nada seja feito. Não há acidentes desse tipo que não envolvam diversos fatores: ocupação irregular de encostas, morros e áreas de risco, próximas a córregos e rios; ausência de obras de drenagem e contenção de encostas; falta de legislação específica para armazenamento e retenção de águas pluviais em residências, condomínios, áreas públicas, calçadas, indústrias e demais edificações urbanas; ausência de política adequada de recolhimento de resíduos sólidos, tanto residencial como de outras áreas, como a construção civil, por exemplo, e de legislação e políticas de estímulo à reciclagem do lixo; entre diversas outras necessárias à prevenção de acidentes por desastres da natureza. Os conhecimentos técnicos acumulados há décadas pela engenharia brasileira permitem o planejamento integrado das ações necessárias, precedidos pelos estudos e levantamentos requeridos; o desenvolvimento de projetos de qualidade, que observem e previnam os principais fatores de risco; e o desenvolvimento das obras de acordo com um cronograma factível e compatível com a prevenção, visando especialmente aos períodos de maior ocorrência de chuvas. É preciso ressaltar também que as mudanças climáticas do planeta provocam alterações radicais no regime de chuvas em todo o mundo, como alertam especialistas internacionais. Assim, os critérios até hoje utilizados para elaboração de projetos de manejo de águas pluviais terão de ser revistos. A maior intensidade das chuvas, com frequências cada vez maiores, exige projetos mais complexos. A nova Política Nacional de Saneamento Básico (lei n° 11.445/07) preconiza que os municípios brasileiros elaborem seus planos municipais de saneamento de acordo com os preceitos técnicos recomendados pela literatura internacional, o que propiciará programas de curto, médio e longo prazo para os quatro vetores do saneamento básico: água, esgoto, manejo de águas pluviais e resíduos sólidos. É preciso correr contra o tempo e executá-los. Por que, passados mais de três anos da promulgação da lei, a maioria dos municípios brasileiros ainda não possui o seu plano? É preciso também lembrar que recentemente tivemos a aprovação da lei que dispõe sobre a política nacional de resíduos sólidos. Suas disposições também ficarão dormentes, em vez de ser implementadas? Nada disso, porém, será levado à prática se as autoridades, em todos os níveis, não se conscientizarem de que a prevenção dessas ocorrências tem caráter metropolitano, envolve diversas pastas (planejamento, saneamento, habitação, obras, transporte, energia e meio ambiente, para citar as mais importantes), e exige planejamento e ações integradas, em todas as esferas. Requer ainda o desenvolvimento de campanhas de esclarecimento à população por intermédio dos meios de comunicação de massa (televisão, rádio e internet, fundamentalmente), sem as quais não se pode esperar a adesão dos cidadãos a essas necessárias ações. E também a alocação de verbas, de formas regulares e inseridas nas previsões orçamentárias de municípios, estados e ministérios envolvidos, com definição de responsabilidades e cronogramas de forma clara para sua implementação. Senão, estaremos condenados a mais uma vez ouvir as mesmas desculpas, atribuindo à inclemência da natureza e aos erros da população a responsabilidade por deslizamentos e enchentes e pelas trágicas perdas de importantes vidas humanas. E de moradias e bens, em geral daqueles que menos têm condições de repô-las. O Brasil dispõe de tecnologia adequada para implementar o planejamento, projeto e obras necessárias à prevenção de desastres naturais. As cerca de 18 mil empresas de arquitetura e engenharia de projetos distribuídas pelo país e representadas pelo Sinaenco, podem colaborar tecnicamente para a viabilização dessas ações, que devem começar a ser planejadas e implementadas imediatamente, em benefício da sociedade.


Fonte: http://www.obra24horas.com.br

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Construir para alugar

Talvez o título deste artigo não corresponda à melhor tradução da expressão inglesa built-to-suit, mas certamente é aquela que melhor revela sua finalidade.
Construir para alugar é um modelo de negócio que não encontra regramento na legislação brasileira, sendo, justamente por isso, considerado um contrato atípico, onde se misturam pactos de compra e venda, de empreitada e de locação.

Apesar dessa falta de normatização específica, trata-se de operação imobiliária perfeitamente legal, comumente usada nos países do chamado Primeiro Mundo, que nos últimos anos começou a ser empregada no Brasil, envolvendo inicialmente grandes corporações empresariais.

Mas, em linhas gerais, como funciona o built-to-suit? É uma transação que no mais das vezes envolve três participantes: um investidor, que tenciona obter uma boa renda; um inquilino, que necessita de um prédio com determinadas características para locar por longo tempo; e, um construtor, que executará a obra a mando do investidor, porém atento às especificações ditadas pelo locatário.

E, por que tudo isso? Basicamente, porque há, de um lado, um inquilino que deseja ter uma edificação especial própria, mas não tem interesse em realizar investimento de vulto, e, de outro lado, um capitalista, cujo escopo é fazer com que seu dinheiro gere aluguéis generosos, que normalmente alcançam a casa do 1% ao mês sobe o montante aplicado.

Observe-se que, para o inquilino, a construção de imóvel próprio traduz-se em capital imobilizado, sem capacidade de produção de riqueza, enquanto que os custos da locação são contabilizados como despesa, o que torna a segunda opção ainda mais vantajosa contabilmente.

Além do mais, como o imóvel é construído sob medida para si, pelo investidor, isso é traduzido em ganhos reais de produtividade, já que foi criado um espaço adequado aos funcionários. (Pesquisas apontam que fatores como qualidade do ar, iluminação, barulho e disposição ergonômica dos móveis, influenciam na produtividade.)

O capitalista, por seu turno, também tem várias vantagens: uma boa renda mensal, de largo prazo – normalmente, de 15 a 20 anos -, proveniente do aluguel pago pelo inquilino; a valorização contínua e crescente do seu investimento imobiliário; o capital e a renda garantidos por um bem imóvel; e, em certas situações, tributação sobre os aluguéis inferior àquela imposta aos locadores comuns.

Há que se considerar, ademais, que o investidor terá um inquilino fixo por anos a fio, não correndo o risco de ver o seu imóvel desocupado da data da saída de um locatário até que ocorra a contratação com um outro, e provavelmente não dependerá de uma imobiliária para administrar a locação para si – uma economia de cerca de 10%.


Fonte: www.treinamentoimobiliario.com




Como não estou tendo tempo para bolar alguns textos pra postar, estou postando os que acho interessante.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

O PROJETO DE SUA CONSTRUÇÃO

O Projeto Arquitetônico

O projeto arquitetônico é aquele que serve de base base para a concepção dos demais (Projeto Estrutural, Elétrico, Hidrosanitário, de Telefonia, de Ar condicionado, dentre outros).
É a materialização de uma idéia, aliada a aspectos como funcionalidade, conforto, estética, salubridade e segurança, além de aspectos legais, e é realizado por um arquiteto. Nele estão representados os cômodos com suas divisões, dimensões e áreas em planta (horizontal) e em cortes (vertical), a locação do terreno, o detalhamento do telhado e fachadas. Ele deve ser aprovado no órgão competente da Prefeitura Municipal.

O Projeto Estrutural

Os outros projetos devem ser elaborados por engenheiros civis e eletricistas e deverão atender rigorosamente ao Projeto Arquitetônico. O Projeto Estrutural (ou Cálculo Estrutural) é o dimensionamento das estruturas que vão sustentar a edificação. É o responsável pela segurança do prédio contra rachaduras (trincas) e desabamentos.
É necessário um perfeito equilíbrio entre o concreto e o aço dentro dos elementos estruturais para que a obra seja segura. Para a elaboração do Projeto Estrutural é necessário, além do Projeto Arquitetônico, o Laudo de Sondagem. Esse documento, detalhadamente confeccionado por empresas especialistas em sondagens, apresenta o perfil do solo abaixo do nível zero, ou seja, com todos os tipos de camadas de solos e suas respectivas resistências à compressão. Este laudo é necessário para o dimensionamento das fundações.

O Projeto de Instalações Elétricas

Deve ser elaborado por um engenheiro eletricista. Ele calcula o dimensionamento ideal das cargas elétricas, fios, eletrodutos, disjuntores, etc., com seus respectivos detalhamentos.

O Projeto de Instalações Hidrosanitárias

Pode ser desenvolvido por um engenheiro civil ou por um arquiteto. A falta de um bom projeto pode ocasionar pouca pressão de água em chuveiros e mau cheiro em ralos.

Gastos por etapa da obra

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Falta de profissional eleva salário de engenheiro

A carência de mão de obra especializada nas construções civil e pesada, por conta do reaquecimento da economia e das obras de infraestrutura, começa a impulsionar os salários dos trabalhadores do setor.


A categoria de engenheiros foi a mais beneficiada até agora, segundo Manuel Rossitto, diretor do Sinicesp (sindicato da construção pesada de SP,"Dos últimos cinco anos para cá houve alta de cerca de 50% acima da inflação nos salários de engenheiros. Antes, a engenharia não estava na moda."


Rossitto afirma que, no caso dos engenheiros, a solução para as empresas reterem os bons profissionais tem sido oferecer salários maiores, ao contrário dos operários, cuja falta pode ser suprida com treinamentos.


"Algumas ações pontuais de aumento na remuneração de operários têm ocorrido. Mas, nesse caso, em que a formação é menos lenta que a dos engenheiros, é possível investir em cursos de capacitação para aumentar a base", diz Rossitto.
Murilo Pinheiro, presidente do Seesp (sindicato de engenheiros), afirma que as homologações de demissões registradas no sindicato recentemente correspondem, em grande parte, a troca de emprego, para oportunidades melhores.


Haruo Ichikawa, vice-presidente do SindusCon-SP (da construção civil), afirma que as negociações na convenção coletiva sobre a elevação dos salários de operários devem ser mais agitadas neste ano, já que os trabalhadores têm agora maior poder de barganha. O piso de um trabalhador qualificado, como carpinteiro e pedreiro, está em R$ 917,40.


Fonte: Folha de São Paulo - Maria Cristina Frias